Tocar: o significado humano da pele
A capacidade de um ocidental relacionar-se com seus semelhantes está muito atrasada em comparação com sua capacidade de relacionar-se com bens de consumo e com as desnecessárias necessidades que o mantém em escravidão, possuído por suas próprias posses. Ele tem condições de chegar a outros planetas, mas com demasiada freqüência não consegue alcançar seu semelhante. Seus limites pessoais raramente ou nunca permitem a passagem para uma comunicação profundamente vivida. A dimensão humana encontra-se constrangida e refreada. [...] Devido ao fato de sermos intocáveis, não conseguimos criar uma sociedade em que as pessoas se toquem em mais sentidos do que no físico. [...] Em razão de nossa progressiva sofisticação e falta de envolvimento recíproco passamos a utilizar exageradamente a comunicação verbal, chegando inclusive a excluir de nossa experiência o universo da comunicação não verbal, para o nosso acentuado empobrecimento. A linguagem dos sentidos, na qual podemos ser todos socializados é capaz de ampliar a nossa valorização do outro ou do mundo em que vivemos, e de aprofundar nossa compreensão em relação a eles. Tocar é a principal dessas outras linguagens. As comunicações que transmitimos por meio do toque constituem o mais poderoso meio de criar relacionamentos humanos, como fundamento da experiência.
De Ashley Montagu, do prefácio à terceira edição de Tocar: o significado humano da pele. Tradução para o português publicada em 1988. Uma sugestão de leitura de Alex. Obrigado!
