Deficiência educacional
Ubiratan, pai do Francisco.
quem te chama de “retardado”, meu filho,
foi prejudicado pela deficiência educacional
O dia 21 do 3 é o dia internacional da síndrome de Down (se diz, dão), feliz paronomásia dos 3 cromossomos no par 21 que os dãos têm em suas células. Celebra-se pois a diferença genética dos dãos, ali onde os outros têm dois. Ocorrendo a trissomia 21 na fecundação sem ter porque, a data é feliz por identificar os dãos com o desejo de fazer vida e pelo acaso, força inelutável. A data nos lembra, pois, a ilusão da expectativa e que fizemos nossos filhos para o mundo, desejo realizado que só resta aceitar. Por isso, o que não dá para aceitar são os pressupostos excludentes que identificam os dãos. Alguns tragicômicos outros não. Confundir João, branco de cabelo louro, com José, moreno de cabelo castanho, e a confusão contrária, “não tem cara de dão”, são formas de identificação tragicômicas. Por pressuporem uma cara estereotipada para os dãos, os pouco atentos geram uma situação interpessoal de constrangimento que é preciso esclarecer mas que, dependendo da situação, mal vale a pena o esforço. Um esforço que vale a pena é o combate contra o pressuposto de que, de alguma forma inexplicável, a trissomia 21 incapacita os dãos para o aprendizado. O crescente sucesso escolar colocam em dúvida esta suposição. Os dãos na escola comum mostram, aliás, que o fundamento do aprendizado é relacional. Não que os dãos não tenham dificuldades na educação. Assim como os cadeirantes tem dificuldades na locomoção, os dãos tem dificuldades na educação. Mas as dificuldades não resultam de uma incapacidade do corpo, mas sim da cidade, da família e da escola, que não dão conta desses corpos. A deficiência que os cadeirantes têm é urbana, a deficiência que os dãos têm é educacional.
Leia também
de Gil Pena - A deficiência intelectual em indivíduos com síndrome de Down é consequencia de privação cultural, não uma determinação genética
neste blogue e na agência inclusive
Belo Horizonte 2010
21/3 dia internacional da síndrome de Down
Ubiratan, pai do Francisco.
quem te chama de “retardado”, meu filho,
foi prejudicado pela deficiência educacional
O dia 21 do 3 é o dia internacional da síndrome de Down (se diz, dão), feliz paronomásia dos 3 cromossomos no par 21 que os dãos têm em suas células. Celebra-se pois a diferença genética dos dãos, ali onde os outros têm dois. Ocorrendo a trissomia 21 na fecundação sem ter porque, a data é feliz por identificar os dãos com o desejo de fazer vida e pelo acaso, força inelutável. A data nos lembra, pois, a ilusão da expectativa e que fizemos nossos filhos para o mundo, desejo realizado que só resta aceitar. Por isso, o que não dá para aceitar são os pressupostos excludentes que identificam os dãos. Alguns tragicômicos outros não. Confundir João, branco de cabelo louro, com José, moreno de cabelo castanho, e a confusão contrária, “não tem cara de dão”, são formas de identificação tragicômicas. Por pressuporem uma cara estereotipada para os dãos, os pouco atentos geram uma situação interpessoal de constrangimento que é preciso esclarecer mas que, dependendo da situação, mal vale a pena o esforço. Um esforço que vale a pena é o combate contra o pressuposto de que, de alguma forma inexplicável, a trissomia 21 incapacita os dãos para o aprendizado. O crescente sucesso escolar colocam em dúvida esta suposição. Os dãos na escola comum mostram, aliás, que o fundamento do aprendizado é relacional. Não que os dãos não tenham dificuldades na educação. Assim como os cadeirantes tem dificuldades na locomoção, os dãos tem dificuldades na educação. Mas as dificuldades não resultam de uma incapacidade do corpo, mas sim da cidade, da família e da escola, que não dão conta desses corpos. A deficiência que os cadeirantes têm é urbana, a deficiência que os dãos têm é educacional.

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